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"Oque pretendi comunicar ao leitor com este livro é que não devíamos temer a morte porque a eternidade seria infinitamente pior. Ficaríamos condenados a uma velhice eterna", disse José Saramago, ontem, no âmbito da cerimónia oficial do lançamento de "As intermitências da morte" em oito edições internacionais.
Na primeira referência à onda de violência que tem varrido França, José Saramago considerou que os incidentes são "uma sineta que toca alarmante e alarmada. O Maio de 1968 ao pé disto é uma brincadeira de crianças". "Estes são os verdadeiros excluídos da sociedade", sublinhou. O Nobel da Literatura português sabe que tem um público próprio, em todo o Mundo. Prova disso é o facto de o seu mais recente livro ter tido pela primeira vez lançamento oficial simultâneo das edições portuguesa, espanhola, mexicana, argentina, colombiana, catalã, brasileira e italiana.
A cerimónia, que decorreu no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, atraiu centenas de amigos e admiradores anónimos da obra do autor de "Memorial do convento". Na ocasião, a violoncelista Irene Lima tocou o prelúdio da suite n.º 6 em ré maior de Johann Sebastian Bach, trecho musical que foi escolhido por estar relacionado com a obra.
A primeira edição de "As intermitências da morte", um livro "amigo da floresta, já que foi composto em papel reciclado - facto que foi enaltecido pelo responsável do movimento Greenpeace presente no local -, tem uma tiragem de cem mil exemplares.
Para já, José Saramago conseguiu a garantia da sua editora, a Caminho, de que as próximas reedições dos seus livros mais antigos serão feitas em papel amigo do ambiente.
Bárbara Guimarães e Pilar del Rio (esposa e tradutora) foram as apresentadoras da sessão em Português e em Espanhol. Também a actriz brasileira Christiane Torloni, a par dos tradutores de Catalão e Italiano, fez leituras ao vivo da obra.
"Queria ver-vos no meu lugar, a ter que controlar as emoções e a sentir que de repente o vocabulário se mostra insuficiente para dizer o que sinto", ironizou o autor, no momento em que, sob uma prolongada salva de palmas da multidão, subiu ao palco.
Falando de "As intermitências da morte", o seu 38.º livro, o autor sublinhou que é uma obra sobre a vida "Cada um de nós transporta a sua morte, pessoal e intransmissível, mas temos uma vantagem sobre isto: no momento em que a morte nos mata também morre". in JN |