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Texto Descritivo
Vamos abordar o texto descritivo, sob o ponto de vista da sua produção e
funcionamento discursivo, com base na ideia de que um texto se define pela sua
finalidade situacional - todo o acto de linguagem tem uma intencionalidade
e submete-se a condições particulares de produção, o que exige do falante
da língua determinadas estratégias de construção textual. Em cada texto,
portanto, podem combinar-se diferentes recursos (narrativos, descritivos,
dissertativos), em função do tipo de interacção que se estabelece entre os
interlocutores. Nesse contexto teórico, o texto descritivo identifica-se por
ter a descrição como estratégia predominante.
Inserindo-se numa abordagem mais geral sobre os mecanismos de elaboração
textual, com base nos conceitos de coesão e coerência, o trabalho pedagógico de
leitura e produção do texto de base descritiva deve partir dos seguintes
pontos:
a) O texto de base
descritiva tem como objectivo oferecer ao leitor /ouvinte a oportunidade de
visualizar o cenário onde uma acção se desenvolve e as personagens que dela
participam;
b) A descrição está presente no nosso dia-a-dia, tanto na ficção (nos romances,
nas novelas, nos contos, nos poemas) como em outros tipos de textos (nas obras
técnico-científicas, nas enciclopédias, nas propagandas, nos textos de jornais
e revistas);
c) A descrição pode ter uma
finalidade subsidiária na construção de outros tipos de texto, funcionando como
um plano de fundo, o que explica e situa a acção (na narração) ou que
comenta e justifica a argumentação;
d) Existem características linguísticas próprias do texto de base descritiva,
que o diferenciam de outros tipos de textos;
e) Os advérbios de lugar
são elementos essenciais para a coesão e a coerência do texto de base
descritiva, permitindo a localização espacial dos cenários e personagens
descritos;
f) O texto descritivo detém-se sobre objetos e seres considerados na sua
simultaneidade, e os tempos verbais mais frequentes são o presente do indicativo
no comentário e o pretérito
imperfeito do indicativo no relato.
O que é um texto descritivo
Segundo Othon M. Garcia
(1973), "Descrição é a representação verbal de um objecto sensível
(ser, coisa, paisagem), através da indicação dos seus aspectos mais
característicos, dos pormenores que o individualizam, que o distinguem."
Descrever não é enumerar o maior número possível de detalhes, mas assinalar os
traços mais singulares, mais salientes; é fazer ressaltar do conjunto uma
impressão dominante e singular. Dependendo da intenção do autor, varia o grau
de exactidão e minúcia na descrição.
Diferentemente da narração, que faz uma
história progredir,
a descrição
faz interrupções
na história, para apresentar melhor um personagem, um lugar, um objecto, enfim,
o que o autor julgar necessário para dar mais consistência ao texto. Pode
também ter a finalidade de ambientar a história, mostrando primeiro o
cenário, como acontece no texto abaixo:
"Ao lado do meu prédio construíram um enorme edifício de apartamentos.
Onde antes eram cinco românticas casinhas geminadas, hoje
instalaram-se mais de 20 andares. Da minha sala vejo a varandas
(estilo mediterrâneo) do novo monstro. Devem distar uns 30 metros, não
mais.
E foi numa dessas varandas que o facto se deu."
(Mário Prata. 100 Crónicas. São Paulo, Cartaz Editorial, 1997)
A descrição tem sido normalmente considerada como uma expansão da narrativa.
Sob esse ponto de vista, uma descrição resulta frequentemente da combinação de
um ou vários personagens com um cenário, um meio, uma paisagem, uma colecção de
objectos. Esse cenário desencadeia o aparecimento de uma série de subtemas, de
unidades constitutivas que estão em relação metonímica de inclusão: a descrição
de um jardim (tema principal introdutor) pode desencadear a enumeração das
diversas flores, canteiros, árvores, utensílios, etc., que constituem esse
jardim. Cada subtema pode igualmente dar lugar a um maior detalhe (os
diferentes tipos de flor, as suas cores, a sua beleza, o seu perfume...).
Em trabalho recente, Hamon (1981) mostra que o descritivo tem características
próprias e não apenas a função de auxiliar a narrativa, chegando a
apontar aspectos linguísticos da descrição: frequência de imagens,
de analogias, adjectivos, formas adjectivas do verbo, termos técnicos... Além disso,
o autor ressalta a função utilitária desempenhada pela descrição face a
qualquer tipo de texto do qual faz parte: "descrever para completar,
descrever para ensinar, descrever para significar, descrever para arquivar,
descrever para classificar, descrever para prestar contas, descrever para
explicar."
No texto dissertativo, por exemplo, a descrição funciona como uma maneira de
comentar ou detalhar os argumentos contra ou a favor de determinada tese
defendida pelo autor. Assim, para analisar o problema da evasão escolar,
podemos utilizar como estratégia argumentativa a descrição detalhada de salas
vazias, corredores vazios, estudantes desmotivados, repetência.
Numa descrição, quer
literária, quer técnica, o ponto de vista do autor interfere na
produção do texto. O ponto de vista consiste não apenas na posição física
do observador, mas também na sua atitude, na sua predisposição afectiva em face
do objecto a ser descrito. Desta forma, existe o ponto de vista físico e
o ponto de vista mental.
a)
Ponto de vista físico
É a perspectiva que
o observador tem do objecto; pode determinar a ordem na enumeração dos
pormenores significativos. Enquanto uma fotografia ou uma tela apresentam o
objecto de uma só vez, a descrição apresenta-o progressivamente, detalhe
por detalhe, levando o leitor a combinar impressões isoladas para formar
uma imagem unificada. Por esse motivo, os detalhes não são todos
apresentados num único período, mas pouco a pouco, para que o leitor,
associando-os, interligando-os, possa compor a imagem que faz do objecto da
descrição.
Observamos e percebemos com todos os sentidos, não apenas com os olhos.
Por isso, informações a respeito de ruídos, cheiros, sensações tácteis
são importantes num texto descritivo, dependendo da intenção comunicativa.
Outro factor importante diz respeito à ordem de apresentação dos detalhes.
Texto - Trecho de conversa informal (entrevista)
"Vamos ver. Bom, a sala tem forma de ele, apesar de não ser grande,
né, dá dois ambientes perfeitamente separados. O primeiro ambiente da sala de
estar tem um sofá forrado de couro, uma forração verde, as almofadas verdes,
ladeado com duas mesinhas de mármore, abajur, um quadro, reprodução de Van
Gogh. Em frente tem uma mesinha de mármore e em frente
a esta mesa e portanto defronte do sofá tem um estrado com almofadas areia, o
aparelho de som, um baú preto. À esquerda desse estrado há uma televisão
enorme, horrorosa, depois há em frente à televisão duas poltroninhas vermelhas
de jacarandá e aí termina o primeiro ambiente. Depois
então no outro, no alongamento da sala há uma mesa grande com seis cadeiras com
um abajur em cima, um abajur vermelho. A sala é toda pintadinha de branco
..."
Comentário sobre o texto
Neste trecho da entrevista, a informante descreve a sala, nomeando as
peças que compõem os dois ambientes, reproduzidos numa sequência bem
organizada. A localização da mobília é fornecida por meio de diversas
expressões de lugar, como em frente, defronte, à esquerda, em cima, que
ajudam a imaginar com clareza a distribuição espacial. Há uma preocupação
da informante em fazer o nosso olhar percorrer a sala, dando os detalhes
por meio das cores (verde, areia, preto, vermelhas), do tamanho ( televisão
enorme, poltroninhas, mesinhas, sala pintadinha). É também interessante observar
que essa informante deixa transparecer as suas impressões pessoais, como
por exemplo ao usar o adjectivo horrorosa, para falar da televisão e
pintadinha, no diminutivo, referindo-se com carinho à sua sala de estar e
de jantar.
b)
ponto de vista mental ou psicológico
A descrição pode
ser apresentada de modo a manifestar uma impressão pessoal, uma interpretação
do objecto. A simpatia ou antipatia do observador pode resultar em imagens
bastante diferenciadas do mesmo objecto. Deste ponto de vista, dois tipos
de descrição podem ocorrer: a objectiva e a subjectiva.
A descrição objectiva, também chamada realista, é a descrição exacta,
dimensional. Os detalhes não se diluem, pelo contrário, destacam-se nítidos em
forma, cor, peso, tamanho, cheiro, etc. Este tipo de descrição pode ser
encontrado em textos literários de intenção realista (por exemplo, em Euclides
da Cunha, Eça de Queiroz, Flaubert, Zola), enquanto em
textos não-literários (técnicos e científicos), a descrição subjectiva
reflecte o estado de espírito do observador, as suas preferências. Isto
faz com que veja apenas o que quer ou pensa ver e não o que está para ser
visto. O resultado dessa descrição é uma imagem vaga, diluída, nebulosa, como
os quadros impressionistas do fim do século passado. É uma descrição em que
predomina a conotação.
"Ao descrever um determinado ser, tendemos sempre a acentuar alguns
aspectos, de acordo com a reacção que esse ser provoca em nós. Ao enfatizar tais
aspectos, corremos o risco de acentuar qualidades negativas
ou positivas. Mesmo usando a linguagem científica, que é imparcial, a
tarefa de descrever objectivamente é bastante
difícil.
Apesar dessa dificuldade, podemos atingir um grau satisfatório de
imparcialidade se nos tornarmos conscientes dos sentimentos favoráveis ou
desfavoráveis que as coisas podem provocar em nós. A consciência disso habilitar-nos-á a
confrontar e equilibrar os julgamentos favoráveis ou desfavoráveis.
Um bom exercício consiste em fazer dois levantamentos sobre a coisa que
queremos descrever: o primeiro, contendo características tendentes a enfatizar
aspectos positivos; o segundo, a enfatizar aspectos negativos.
Características linguísticas da descrição
O enunciado narrativo, por ter a representação de um acontecimento,
fazer-transformador, é marcado pela temporalidade, na relação situação
inicial e situação final, enquanto que o enunciado descritivo, não tendo
transformação, é atemporal.
Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintático-semânticas encontradas no
texto que vão facilitar a compreensão:
Predominância de verbos de estado, situação ou
indicadores de propriedades, atitudes, qualidades, usados principalmente no
presente e no imperfeito do indicativo (ser, estar, haver, situar-se, existir,
ficar).
Enfâse na
adjectivação para melhor caracterizar o que é descrito;
Exemplo:
"Era alto , magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num
colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargando até à calva,
vasta e polida, um pouco amolgado no alto; tingia os cabelos que de uma
orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto lustroso
dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas não tingia o bigode;
tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era muito pálido;
nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes
muito despegadas do crânio. "(Eça de Queiroz - O Primo Basílio)
***
Emprego de
figuras (metáforas, metonímias, comparações, sinestesias).
Exemplos:
"Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não muito gordo, mas
rolho e bojudo como um vaso chinês. Apesar de seu corpo rechonchudo, tinha
certa vivacidade buliçosa e saltitante que lhe dava petulância de
rapaz e casava perfeitamente com os olhinhos de azougue." (José de
Alencar - Senhora)
Uso de
advérbios de localização espacial.
Exemplo:
"Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, e essa casa era
assim: na frente, uma grade de ferro; depois você entrava tinha um
jardinzinho; no final tinha uma escadinha que devia ter uns cinco
degraus; aí você entrava na sala da frente; dali tinha um corredor
comprido de onde saíam três portas; no final do corredor tinha a cozinha,
depois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e atrás ainda tinha um galpão,
que era o lugar da bagunça ..." (Entrevista gravada para o Projeto
NURC/RJ)
"A ordem dos detalhes é, pois, muito importante. Não se faz a
descrição de uma casa de maneira desordenada; ponha-se o autor na posição
de quem dela se aproxima pela primeira vez; comece de fora para dentro à
medida que vai caminhando na sua direcção e percebendo pouco a pouco
os seus traços mais característicos com um simples correr d'olhos:
primeiro, a visão do conjunto, depois a fachada, a cor das paredes, as
janelas e portas, anotando alguma singularidade expressiva, algo que dê ao
leitor uma ideia do seu estilo, da época da construção. Mas não se esqueça de que percebemos ou observamos com todos os
sentidos, e não apenas com os olhos. Haverá sons, ruídos, cheiros,
sensações de calor, vultos que passam, mil acidentes, enfim, que evitarão que
se torne a descrição uma fotografia pálida daquela riqueza de impressões que os
sentidos atentos podem colher. Continue o observador: entre na casa, examine a
primeira peça, a posição dos móveis, a claridade ou obscuridade do ambiente,
destaque o que lhe chame de pronto a atenção (um móvel antigo, uma goteira, um
vão de parede, uma massa no reboco, um cão sonolento...). Continue assim
gradativamente. Seria absurdo começar pela fachada, passar à cozinha, voltar à
sala de visitas, sair para o quintal, regressar a um dos quartos, olhar depois
para o telhado, ou notar que as paredes de fora estão descaiadas. Quase sempre
a direcção em que se caminha, ou se poderia normalmente caminhar rumo ao
objecto serve de roteiro, impõe uma ordem natural para a indicação dos
seus pormenores."
Fica evidente que esse
"passeio" pelo cenário, feito como se tivéssemos nas mãos uma câmara
cinematográfica, registando os detalhes e compondo com eles um todo, deve
obedecer a um roteiro coerente, evitando idas e vindas desconexas, que
certamente perturbam a organização espacial e prejudicam a coerência do
texto descritivo.
Textos descritivos
Conforme o objectivo a alcançar, a descrição pode
ser não-literária ou literária. Na descrição não-literária, há maior
preocupação com a exactidão dos detalhes e a precisão vocabular. Por ser
objectiva, há predominância da denotação.
Textos
descritivos não-literários
A descrição técnica é um tipo de descrição
objectiva: ela recria o objecto usando uma linguagem científica, precisa. Esse
tipo de texto é usado para descrever aparelhos, o seu funcionamento, as peças
que os compõem, para descrever experiências, processos, etc.
Exemplo:
a) Folheto de propaganda de carro
Conforto interno - É impossível falar de conforto sem incluir o espaço
interno. Os seus interiores são amplos, acomodando tranquilamente
passageiros e bagagens. O Passat e o Passat Variant possuem
direcção hidráulica e ar condicionado de elevada
capacidade, proporcionando a climatização perfeita do ambiente.
Porta-malas - O compartimento de bagagens possui capacidade de 465 litros, que pode ser
ampliada para até 1500
litros, com o encosto do banco
traseiro rebaixado.
Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em plástico reciclável e
posicionado entre as rodas traseiras, para evitar a deformação em caso
de colisão.
Textos descritivos literários
Na descrição
literária predomina o aspecto subjectivo, com ênfase no conjunto de associações conotativas que
podem ser exploradas a partir de descrições de pessoas; cenários, paisagens,
espaço; ambientes; situações e coisas. Vale lembrar que textos descritivos
também podem ocorrer tanto em prosa como em verso.
Descrição de
pessoas
A descrição de
personagem pode ser feita na primeira ou terceira pessoa. No primeiro
caso, fica claro que o personagem faz parte da história; no segundo, a
descrição é feita pelo narrador, que, ele próprio, pode fazer ou não parte
da história.
Texto - Retrato de
Mónica
Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultaneamente: ser boa
mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da "Liga Internacional
das Mulheres Inúteis", ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica
todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a
muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda gente, toda gente
gostar dela, coleccionar colheres do século XVII, jogar golfe, deitar-se tarde,
levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser
sócia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo
exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito
séria.
Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mónica. Mas são só a sua
caricatura. Esquecem-se sempre do ioga ou da pintura
abstracta.
Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina
rigorosa e contente. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a
sol.
De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui,
Mónica teve de renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.
Texto - Calisto Elói
Calisto Elói, naquele tempo, orçava por quarenta e quatro anos. Não era
desajeitado de sua pessoa. Tinha poucas carnes e compleição, como dizem,
afidalgada. A sensível e dissimétrica saliência do abdómen devia-se ao uso
destemperado da carne de porcos e outros alimentos intumescentes. Pés e
mãos justificavam a raça que as gerações vieram adelgaçando de carnes. Tinha o
nariz algum tanto estragado das invasões do rapé e torceduras do lenço de
algodão vermelho. A dilatação das ventas e o escarlate das cartilagens não eram
assim mesmo coisa de repulsão.
(Camilo Castelo Branco, A queda dum anjo)
Comentário
sobre a descrição de pessoas
A descrição de pessoas
pode ser feita a partir das características físicas, com predomínio da
objectividade, ou das características psicológicas, com predomínio da
subjectividade. Muitas vezes, o autor, propositadamente, faz uma
caricatura do personagem, acentuando os seus traços físicos ou
comportamentais.
Os personagens podem ser apresentados directamente, isto é, num determinado
momento da história, e neste caso a narrativa é momentaneamente interrompida.
Podem, por outro lado, ser apresentados indirectamente, por meio de dados, como
comportamentos, traços físicos, opiniões, que vão sendo
indicados passo a passo, ao longo da narrativa.
***
Texto
- Trecho de "A Relíquia" (Eça de Queiroz)
"Estávamos sobre a pedra do Calvário.
Em torno, a capela que a abriga, resplandecia com um luxo sensual e pagão.
No tecto azul-ferrete brilhavam sóis de prata, signos do Zodíaco,
estrelas, asas de anjos, flores de púrpura; e, dentre este fausto
sideral, pendiam de correntes de pérolas os velhos símbolos da
fecundidade, os ovos de avestruz, ovos sacros de Astarté e Baco de ouro. [...]
Globos espelhados, pousando sobre peanhas de ébano, reflectiam as jóias dos
retábulos, a refulgência das paredes revestidas de jaspe, de nácar e de
ágata. E no chão, no meio deste clarão, precioso de pedraria e luz, emergindo
dentre as lajes de mármore branco, destacava um bocado de rocha bruta e brava,
com uma fenda alargada e polida por longos séculos de beijos e afagos
beatos."
Considerações
Finais
Um
enunciado descritivo, portanto, é um enunciado de ser. A descrição não é um
objecto literário por princípio, embora esteja sempre presente nos textos
de ficção, ela encontra-se nos dicionários, na publicidade, nos textos
científicos.
Há autores que apresentam a definição como um tipo de texto descritivo. Para
Othon M.Garcia (1973), "a definição é uma fórmula verbal através da
qual se exprime a essência de uma coisa (ser, objecto, ideia)",
enquanto "a descrição consiste na enumeração de caracteres próprios
dos seres (animados e inanimados), coisas, cenários, ambientes e costumes
sociais; de ruídos, odores, sabores e impressões tácteis." Enquanto a
definição generaliza, a descrição individualiza, isto porque, quando definimos,
estamos a tratar de classes, de espécies e, quando descrevemos, estamos a
detalhar indivíduos de uma espécie.
Definições de futebol
Texto extraído de uma
publicidade - encontramos aqui uma interessante definição do futebol, feita de
uma maneira bastante diferente daquela que está nos dicionários.
Futebol é bola na rede. Festa. Grito de golo. Não só. Não mais. No Brasil
de hoje, futebol é a reunião da família, a redenção da Pátria, a união dos
povos. Futebol é saúde, amizade, solidariedade, saber vencer. Futebol
é arte, cultura, educação. Futebol é balé, samba, capoeira. Futebol é
fonte de riqueza. Futebol é competição leal. Esta é a profissão de fé da
***. Porque a *** tem o compromisso de estar ao lado do torcedor e do
cidadão brasileiro. Sempre.
Enciclopédia e Dicionário Koogan/Houaiss
Desporto no qual 22 jogadores, divididos em dois conjuntos, se esforçam
por fazer entrar uma bola de couro na baliza do conjunto contrário, sem
intervenção das mãos. (As primeiras regras foram elaboradas em 1860). |